Mais uma postagem do Projeto Literatura em Movimento, esse mês o tema é livre e eu resolvi me abrir e contar um pouco sobre minha infância.
O tema desse mês é aberto e mesmo assim é difícil saber sobre o que escrever, tem tanta coisa acontecendo no mundo que deixa muita gente indignada, esses dias ainda estava falando com o marido que parece até que o fim do mundo está chegando é tanta violência, problemas relacionados a saúde pública, a educação é cada vez menos priorizada, as pessoas parece que perderam o senso de civilidade é cada um por si e salve-se quem puder. Mas entre todos esses problemas que estamos convivendo no nosso dia a dia eu vou falar de algo que marcou bastante minha vida que é o bullying.
Há pouco tempo vi uma postagem no facebook de outra blogueira que é mãe e estava indignada com a atitude de algumas coleguinhas de sua filha e quando vi que ela estava ali protegendo e defendendo a filha eu pensei como eu queria que minha mãe fosse assim e tivesse feito algo por mim.
Quando era criança estudava em uma escola de freiras, mas aquilo ali para mim não era uma escola e sim um local que ia para ser torturada psicologicamente. Chorava muito cada vez que tinha que ir para a escola, a minha mãe não entendia o porquê de eu fazer tanto escândalo sempre, muitas vezes ficava um tempo na escola e logo pedia que chamassem meu pai para me buscar, pois sempre sentia dores de barriga, chorava, suava e ninguém entendia o por quê.
Durante as aulas éramos obrigados a sentar com um colega do lado e eu sempre pegava aquele colega que passava a aula me beliscando, puxando meu cabelo, me chamando de feia. Sempre tive dificuldade de fazer amizades de me comunicar, sempre tinha a impressão de que as pessoas queriam ficar o mais longe de mim e minha situação piorava ainda mais quando na hora do recreio resolvia procurar minha irmã que é 2 anos mais velha que eu, mas ela simplesmente me escorraçava de perto dela, dizia que tinha vergonha de mim, que eu não sabia me arrumar e que as amigas dela não gostavam de mim, estão a maior parte da minha vida infantil escolar eu passava sentada em um banco sozinha.
Até hoje me pergunto como minha mãe não percebeu que tinha algo errado acontecendo, porque ela sempre achava que eu é que devia fazer algo para os colegas me tratarem mal, resumindo para ela eu era a culpada de tudo.
Teve um dia que eu não queria ir de jeito nenhum à aula fui de casa até a escola chorando e ela me fez descer do carro e me deixou na calçada em frente à escola chorando sozinha, lembro que foram umas meninas mais velhas que me levaram para dentro da escola.
Minha irmã era má comigo principalmente quando já éramos adolescentes e quando eu dizia para ela que achava um garoto bonitinho, adivinhem o que ela fazia? Ela dava um jeito de ficar com o menino na minha frente e depois ainda me dizia “tu é horrorosa nunca que ele ia te querer”.
O tempo passou...eu entrei para a universidade, fiz agronomia na UFSM e minha melhor amiga fazia Educação Especial e um dia ela conversando com um professor sobre fobia escolar ela começou a ligar os sintomas a tudo que eu contava para ela, então procurei o professor e foi aí que descobri que eu tenho fobia escolar, digo tenho porque é algo que carrego até hoje comigo, embora eu tenha uma certa dificuldade em passar muito tempo dentro de uma sala de aula, eu consegui me formar, fiz especialização, mestrado e doutorado. Confesso que tinha dias que me sentia sufocada dentro da sala de aula, tinha que pegar minhas coisas e ir embora, mas pelo menos eu agora tinha essa opção, já que quando criança era obrigada a encarar a situação.
Até hoje eu sou difícil de fazer amizades, pois tenho sempre a impressão que as pessoas vão pensar, o que ela quer puxando papo, eu nem a conheço, sinto como se estivesse sempre incomodando, e sei que muitas pessoas pensam que eu sou chata, que eu não me comunico muito principalmente nesse meio virtual, as vezes fico louca para chamar uma pessoa no face por exemplo e falar algo, mas ai fico pensando o que ela vai pensar de eu dizer isso, por isso estou sempre na minha.
Depois de tudo que sofri na minha infância, eu sempre disse que não queria ter filhos e não quero mesmo, pois meu maior medo é colocar uma criança no mundo e ela passar pelo que eu passei. Quando conheci meu marido a primeira coisa que eu disse para ele é que se ele tava procurando alguém para ter filhos eu era a pessoa errada, incrível ele disse que não se importava com isso, agora somo pais de cachorro e estamos realizados.
Gente eu vou parando por aqui, já me debulhei em lágrimas e não quero mais chorar por coisas que passaram, vou lá brincar com meus dogs que são as coisas mais preciosas que eu tenho.
Beijão a todos!!


