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22 setembro, 2012

Resenha - A Bailarina Fantasma

Título: A Bailarina Fantasma
Autora: Socorro Acioli
Editora: Biruta
Páginas: 182
Ano: 2011
Gênero: Sobrenatural/Literatura Nacional

Sinopse: O Theatro José de Alencar estava prestes a passar por uma grande reforma. Marcelo, um arquiteto especialista em construções antigas, foi contratado para coordenar a obra. Sua missão era fazer com que a casa de espetáculos ficasse exatamente como era no dia da inauguração. Marcelo era viúvo e tinha uma filha, Anabela, que logo no primeiro dia de reforma viveu um encontro assustador com o fantasma de uma jovem bailarina que aparecia no teatro há muitos anos. Mesmo contra sua vontade, Anabela embarcou em uma viagem pelo passado daquele lugar e envolveu-se completamente em uma história de amor, medo e muito mistério, conduzida pelo hálito gelado e a presença diáfana da bailarina fantasma, que só poderia ir embora quando resolvesse, com a ajuda de Anabela, algo muito importante que mudaria a vida de várias pessoas.
Anabela é uma jovem que mora com seu pai. Marcelo é arquiteto e está responsável pela restauração do teatro da cidade. A mãe de Anabela morreu quando ela era muito nova.
No fundo, as pequenas mortes da natureza eram para Anabela uma esperança de fazer contato com sua mãe, especialmente quando ela via um miosótis – a flor preferida de Melinda – começando a amarelar suas pétalas, dando sinal de que era hora de partir.
A notícia muito boa é que eu consegui o emprego do teatro. Não é fantástico? A ótima é que você vai comigo pra lá todas as tardes. Não é incrível? E a fantástica é que hoje vamos a um balé no teatro! É ou não é uma notícia boa?
Depois Marcelo explicou com calma: para marcar o início da reforma, haveria uma apresentação de Giselle, um lindo espetáculo conhecido no mundo todo.
Durante um espetáculo de balé no teatro, Anabela percebeu que havia uma bailarina diferente junto das outras.
Giselle era um balé lindo, romântico e trágico. Por isso tudo elas estavam adorando. Pelo libreto era possível seguir a história e sofrer junto com Giselle e seu amor perdido. Anabela e Luciana já estavam comovidíssimas mesmo antes de começar.
Assustada, Anabela olhou para o pai, para Luciana e para os demais espectadores, porém todos continuavam olhando para o palco, para a frente. Na plateia, ninguém parecia olhar para a bailarina que voava. Todos seguiam concentrados na dança das Willis.
O que essa bailarina estaria fazendo ali no teatro?
Anabela conta a sua amiga sobre o que aconteceu no teatro e ela decide investigar o que realmente Anabela viu.
Amenina criou coragem e contou tudo sobre a bailarina azul, as perguntas, os modos dela, os passos, tudo. E estava aliviada por falar com alguém, depois de passar a noite sonhando com aquela moça diáfana e gelada. Luciana ouviu até o fim. Incrédula, mas ouviu.
Enquanto Anabela abria a porta de casa, Luciana recebeu o envelope e perguntou curiosíssima se poderia abrir. – Claro! – disse Anabela, entrando em casa sem notar que Luciana ficara lá fora, sentada no banquinho, com uma das fotos na mão, completamente pálida. No canto direito, ao lado de Anabela, aparecia uma leve e translúcida bailarina azul, uma inacreditável bailarina azul flutuando no ar.
Talvez eu só tenha, até agora, umas vinte ou vinte e duas certeza na vida, mas uma delas é de que eu quero ser jornalista. Mais que isso, eu quero ser a Lois Lane, namorada do Clark Kent. Quero ser daquele jeito, completamente repórter. Dá cabeça aos pés. Por isso decidi investigar o caso da bailarina. Investigar não, apurar. É assim que os jornalistas dizem. Era a hora de começar minha vida profissional.
Em meio a objetos antigos encontrados no teatro, uma caixa é entregue a Anabela e dentro tem algo que a faz mergulhar em uma viagem no passado.
A mão branca e fria daquela moça do outro mundo apontou para a parte de baixo do baú, onde havia um fundo falso que escondia a chave dele. Não foi por acaso, não ela sabia exatamente onde a chave estava.
Clara aprendeu a andar no chão do teatro, sempre se apoiando nas grades escocesas produzidas pelo avô e trazidas pelo pai de um pedaço tão longe do mundo. Aquele lugar era seu pequeno paraíso, seu castelo, seu lar.
A música terminou e Clara, tranquila como um anjo, simplesmente agradeceu, sem a menor noção do arrebatamento que acabara de causar no coração de todos. Ela só queria dançar.
Ela consegue visualizar toda a construção do teatro e a história de cada pessoa que passou por ali e assim descobre o porquê daquela bailarina permanecer no local.
Até que ponto um filho tem que aturar o egoísmo de um pai, que o afasta de sua amada.
Mas Antônio não estava ali naquela noite. Quem estava no camarim era Clara e a pequena Clarice. A cortina de fumaça, densa e negra não permitiu que ela respirasse, impedindo que conseguisse se salvar.
Clara, a bela bailarina precisa de ajuda, ela tenta pedir ajuda há muito tempo, mas ninguém responde e Anabela é a jovem que finalmente irá lhe ajudar.
–Anabela, você é a primeira pessoa viva que me escuta, que não foge mais de mim. Eu tentei muito, com muitas pessoas, mas só consegui assustar. Todas as minhas esperanças agora estão em suas mãos, Anabela. Eu preciso muito da sua ajuda.
O teatro foi reinaugurado e Anabela estava lá, pois ela ajudou muito seu pai, contando a ele detalhes sobre a construção do teatro.
– Depois de tanto trabalho, esforço, dedicação, cansaço e empenho, a única coisa que posso fazer hoje é dizer obrigado a cada uma das pessoas que colaboraram com a reforma desta casa. Para não correr o risco de esquecer ninguém, eu fiz uma lista.
Então o dia de se despedir de sua nova amiga, Clara, chegou.
Até aquele dia, Anabela acreditava que os mortos não voltam jamais. Mas agora ela sabe: eles voltam.
O livro envolve cenas de suspense, mistério e um terror muito leve, é impossível não se envolver por essa linda história que traz amor, morte e a restauração de um local histórico.
Adorei as imagens do teatro que enriqueceram muito a leitura, sem contar os cuidados com a arte nas trocas de Atos e Capítulos.

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