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31 janeiro, 2017

Resenha - Anna Kariênina

Título: Anna Kariênina
Autor: Liev Tolstói
Editora: Cosac Naify
Páginas: 816
Ano: 2015
Gênero: Romance/ Literatura Estrangeira
Sinopse: Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.”
Esta é uma das aberturas mais famosas de todos os tempos, e ainda hoje impressiona a sabedoria concisa com que Tolstói introduz o leitor no universo de Anna Kariênina, clássico escrito entre 1873 e 1877. Muito do que o romance vai mostrar está contido nesta frase. A personagem-título, ao abandonar sua sólida posição social por um novo amor, e seguir esta opção até as últimas consequências, potencializa os dilemas amorosos, vividos dentro ou fora do casamento, de toda a ampla galeria de personagens que a circunda. O amor, aqui, não é puro idealismo romântico.
Tolstói recupera todo um século de experiência russa, com episódios e personagens modelados a partir de pessoas reais, e aborda as principais discussões políticas, econômicas e filosóficas de seu tempo, ainda incrivelmente atuais. O livro se articula por meio de contrates: a cidade e o campo; as cidades de Moscou e São Petersburgo; a alta sociedade e a vida dos mujiques; o intelectual e o homem prático. 
 "Todas as famílias felizes se parecem entre si, as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira."

Eu comecei o ano muito bem, lendo logo de cara um clássico que estava há muito tempo na minha TBR. Para quem não sabe eu tenho um amor imenso por livros que tenham como foco amores impossíveis e que relacionem eventos históricos durante a leitura, ou seja, romances históricos. 
Anna Kariênina reúne todos aqueles requisitos citados, o livro vai abordar o contexto da família diante da sociedade russa no século XIX como costumes, hábitos, política e cultura naquele tempo. E antes de tudo é bom lembrar que tudo está relacionado nesse livro, já que são vários pontos de vistas dos personagens e tendo dois principais que é Anna e Liêvin. Tudo começa quando Anna uma mulher casada de sólida posição é convocada pelo irmão para resolver problemas no seu casamento, então Anna sai de São Petersburgo para Moscou para ajuda-lo, o que ela não contava é que nessa viajem ela conheceria o Conde Vronsky e viveria um romance condenado por todos na sociedade e que por fim esse sentimento contaminaria o amor dos dois.
 Já o lado de Liêven é mais reflexivo, já que com seu ponto de vista vamos ser apresentados a agricultura e suas modificações, ao mesmo tempo que o autor traz à tona a questão dos mujiques – eram camponeses que dependiam das terras do senhor para sobreviver – e sua relação com os senhores de terra no passado. Já na questão dos relacionamentos, Liêven se apaixona por Kitty que é enamorada do Conde Vronsky que antes pretendia fazer a corte a ela, e que acaba se apaixonando por Anna, assim dando início a teia de acontecimentos que o autor envolve com cada personagem.
- Naturalmente, mas lembra-te de que, quando estiveste em minha casa, tu me censuraste os prazeres da vida. Não sejas tão severo, meu moralista!
- No entanto na vida o que é bom é... - a voz de Liêvin entaramelou-se-lhe. - Enfim, não sei, só sei que morreremos breve.
- Por que havemos nós de morrer breve?
- Quando se pensa na morte, a vida tem menos encantos, mas é mais pacífica.
A escrita de Tolstói é muito densa e capta todos os detalhes, fazendo assim o leitor sentir-se parte dos acontecimentos, como até se possível sentir a alegria e a tristeza dos personagens. Além dos mais o livro não apenas trata das relações familiares, mas a questão política na época, a cultura e o convívio na sociedade. É possível ao termino do livro distinguir as capitais São Petersburgo e Moscou, já que a sociedade eram diferentes e se comportavam de um modo diferente em cada lugar.
Há no livro uma questão de paradigma entre cidade e campo muito discutida, que é na cidade as paixões, e o trabalho de uma forma mais mundana e no campo um trabalho digno e regras, e é por isso que o autor nos mostra dois personagens que é a Anna que vive na cidade e é empurrada pela enxurrada de sentimentos profanos existentes na capital e Liêven que vive no campo aonde leva uma vida calma, com seu trabalho justo e reflexões sobre religião, política e cultura e como se deve relacionar eles ao dia-a-dia.

Este foi meu primeiro clássico do ano e comecei com o pé direito! Recomendo muito a leitura desse livro.

29 dezembro, 2016

Resenha - Norte e Sul

Título: Norte e Sul
Autor: Elizabeth Gaskell
Editora: Martin Claret
Páginas: 747
Ano: 2015
Gênero: Literatura Estrangeira 
Publicado em 1854, “Norte e Sul” retrata os efeitos da Revolução Industrial no solo inglês. As personagens principais: Mr. Thornton e Margaret dualizam o norte (industrial, sujo e sem modos) e o sul (bucólico e aristocrático). O relacionamento entre os dois pode evocar no leitor lembranças de Orgulho e Preconceito , pois, assim como na obra de Austen, as personagens de Gaskell também precisam passar por cima das convenções sociais e dos pré-conceitos em busca do amor e da realização. O romance “Norte e Sul” foi escrito e publicado na revista Household Words na forma de folhetim, como era de costumeiro, no ano de 1854, quando a Inglaterra sofria os efeitos da Revolução Industrial e das mudanças delas advindas. A mola propulsora do enredo é a mudança da família de Margaret, da idílica cidade de Helstone, sul da Inglaterra, para o centro industrial de Milton-North.
Norte e Sul é um romance que tem como o pano de fundo o norte e o sul da Inglaterra. Primeiramente a autora nos apresenta o Sul, o bucólico, o aristocrático, o lugar que a protagonista Margaret Hale nasceu e tem como lar. Já o Norte a parte suja, degradante, e cheias de industrias é aonde o Sr. Thorton vive como um industrial rico e bem-sucedido.
Esse livro conta uma parte da revolução industrial que ocorreu na Inglaterra no século XIX, por motivos que um deles é o baixo salário e as condições de trabalho, há também uma grande discussão sobre os sindicatos e como eles atuavam na época. Esse romance vai tratar de uma forma política as relações sociais em uma cidade fictícia que a autora criou, nela há um grande parâmetro entre as relações culturais e sociais existentes no norte e sul.
O livro é lembrando por ser parecido com a obra prima de Jane Austen Orgulho e Preconceito, já que os protagonistas enfrentarão o próprio preconceito e o orgulho para ficarem juntos. Ressaltando que Margart é uma jovem que nasceu no Sul, mas foi mandada para viver um tempo com sua tia que tinha boas relações e fortuna em Londres, depois desse tempo ela volta para sua adorada Helstone para descobrir que seu pai, um pároco, tem dúvidas em torno da sua vocação e decide mudar-se com a família para outra cidade que será a Milton do Norte e recomeçar como professor particular de industriais que incluem o Sr. Thorton que é um rico industrial de Milton conhecido por sua determinação nos negócios. Assim que a protagonista chega em Milton a autora nos apresenta detalhes vividos de como seriam viver em uma cidade que é governada pela indústria, pois até os modos se diferem das maneiras acostumadas que presenciamos nos romances de época – creio eu que existe uma liberdade de comportamento nas pessoas de todas as classes no Norte –  Margaret logo vira amiga de um dos operários e vê de forma bastante clara como eles são tratados pelos patrões, isso é a causa de muitas desavenças entre ela e o Sr. Thorton.

"E pouco a pouco ele perdeu todo o ressentimento, ao perguntar-se como era, ou poderia ser, que dois homens como ele e Higgins, vivendo do mesmo negócio, trabalhando cada um da sua maneira para o mesmo objetivo, podiam olhar para a posição e os deveres do outro de um modo tão diferente e estranho. E então surgiu aquele relacionamento que, embora não tivesse o efeito de prevenir qualquer conflito futuro de opinião ou de ação quando a ocasião surgisse, permitiria de qualquer modo, que tanto o patrão como o empregado olhassem um para o outro com mais caridade e simpatia, e suportassem um ao outro com mais paciência e gentileza. Além desta melhoria de sentimentos, tanto Mr. Thorton quanto seus trabalhadores descobriram sua ignorância quanto a assuntos triviais, conhecidos até então de um lado, mas não do outro." 
Não posso permitir que ao lerem a minha resenha pensem que Thorton é um personagem que deve ser odiado, ao contrário, ele é uma versão nortenha do Mr. Darcy. É um homem de laços que não tem nobreza ou a aristocracia, mas que tem esforço e determinação. Devo dizer que é o meu tipo preferido de mocinho, aquele que é bondoso, determinado e simples e que seja britânico, por que quem em nome de Deus resiste a um sotaque daqueles?

Mas por favor não leiam com o pensamento que essa obra da Elizabeth é parecida de forma íntima com os livros de Jane Austen, enquanto Austen satiriza a sociedade por suas falsas relações, Gaskell mergulha de uma forma perturbadora e real nas fraquezas e os receios mais temidos do ser humano e em como viver uma vida para qual não foi feita podem degradar o ser humano pouco a pouco.

E AH pessoas! A linda e maravilhosa BBC fez uma espetacular adaptação desse livro, apesar que o Sr. Thorton do livro seja mais apaixonante do que o da série, pois esse é mais sério e fechado, mas gente não pode reclamar, não é?