Aqui estou eu para mostrar o que estou lendo no momento, um dos livros eu terminei a leitura ontem a noite, mas mesmo assim vou trazer uns trechos para vocês.
Terminei de ler A Rainha Vermelha e logo na sequencia comecei a leitura de Espada de Vidro, esse livro para mim é melhor que o primeiro, tem muita ação e estou adorando acompanhar o crescimento de Mare Barrow e Cal. Logo vai ter as resenhas por aqui. Escolhi os quotes tentando não dar spoiler do primeiro livro.
Claro que sei que outros morreram, pela causa e por mim. Mas eu também morri. A Mare de Palafitas morreu no dia em que caiu no escudo elétrico. Mareena, a princesa prateada desaparecida, morreu no Ossário. E não sei quem é a pessoa que abriu os olhos no subtrem. Só sei o que ela foi e o que perdeu, e o peso disso é quase esmagador.
Shade e Farley estão na margem oposta com os olhos na água adiante. Se contorcem na tentativa de conter as risadas enquanto observam o príncipe na parte rasa. O riacho está na altura dos tornozelos de Cal, passando gentilmente, como uma carícia materna. Mas ele logo cruza os braços, tentando esconder as mãos trêmulas.
Antes eu acreditava que o sangue era tudo no mundo, a diferença entre luz e escuridão, uma divisão irrevogável e intransponível. Tornava os prateados poderosos, frios e brutais, desumanos até, quando comparados aos meus irmãos vermelhos. Mas pessoas como Cal, Julian e até mesmo Lucas me mostram como eu estava errada. Os prateados são humanos como nós, cheios dos mesmos medos e esperanças. Não estão livres do pecado, mas também não estamos. Nem eu estou.
Lembro de ter visto a capa desse livros várias vezes, mas nunca me senti instigada a procurar sobre o que se tratava a história, foi através de uma postagem que li essa semana que fiquei louca por não ter dado atenção a esse livro antes. Gente, o papo agora é sério, esse livro narra história de pessoas que sobreviveram a um verdadeiro Holocausto Brasileiro, traz histórias emocionantes de reencontros, mas vai fazer muito leitor se revoltar ao conhecer a história sobre o Manicômio Colônia. Chorei, passei a noite remoendo a história, pensando em como o ser humano é cruel e imaginando como algumas pessoas passaram por tudo aquilo e ainda conseguiram sair de lá e ter uma vida. Mesmo sendo encarceradas e deixadas em condições de desumanidade total, vamos ver amizades ser construídas e até mesmo casais se formaram.
Os pacientes do Colônia morriam de frio, de fome, de doença. Morriam também de choque. Em alguns dias, os eletrochoques eram tantos e tão fortes, que a sobrecarga derrubava a rede do município.
Ao morrer, davam lucro. Entre 1969 e 1980, 1.853 corpos de pacientes do manicômio foram vendidos para dezessete faculdades de medicina do país, sem que ninguém questionasse.
Hoje, restam menos de 200 sobreviventes. Parte deles morrerá internada, parte tenta inventar um cotidiano em residências terapêuticas, com os farrapos de delicadeza que lhe sobram. Como Sônia Maria da Costa, que às vezes coloca dois vestidos porque passou a vida nua.
- Não sei por que me prenderam. Cada um fala uma coisa. Mas, depois que perdi meu emprego, tudo se descontrolou. Da cadeia, me mandaram para o hospital, onde eu ficava pelado, embora houvesse muita roupa na lavanderia. Vinha tudo num caminhão, mas acho que eles queriam economizar. No começo, incomodava ficar nu, mas com o tempo a gente se acostumava. Se existe inferno, o Colônia era esse lugar.
O fato é que a história do Colônia é a nossa história. Ela representa a vergonha da omissão coletiva que faz mais e mais vítimas no Brasil. Os campos de concentração vão além de Barbacena. Estão de volta nos hospitais públicos lotados que continuam a funcionar precariamente em muitas outras cidades brasileiras.
Eu ainda não escrevi a resenha desse livro, mas já indico a leitura, não podemos fechar os olhos, fingir que não vimos nada, isso faz parte da nossa história.
Beijão a todos!!























